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Inovação em água em 2025: 3 tendências para 2026

 

Em 2025, a inovação em água deixou de ser um tema periférico e passou a ocupar o centro das conversas sobre clima, sustentabilidade e competitividade. Em um cenário marcado por atrito econômico e aceleração tecnológica — com tarifas comerciais, volatilidade geopolítica e um boom de IA redesenhando cadeias globais — a água emergiu como variável estratégica: influencia onde empresas se instalam, como operam e de que forma se diferenciam.

Essa virada também é percebida no tom de quem acompanha a pauta de perto. Em análise assinada por Megan Gerryts (especialista em Inovação, Food and Water, World Economic Forum) e Jeffrey Brown (Managing Director Sustainability Accelerator, Stanford Doerr School of Sustainability), o recado é direto: a inovação em água em 2025 precisa manter o ritmo para sustentar entregas reais em 2026.

A seguir, as três tendências que definiram 2025 e o que elas sinalizam para a agenda global da água no próximo ciclo.

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1) Resiliência hídrica vira núcleo da estratégia climática e de negócios

A gestão corporativa da água (water stewardship) não é novidade, mas em 2025 ela ganhou outra dimensão: virou parte do coração da estratégia de resiliência — e não apenas um capítulo de relatórios ESG.

Historicamente, quem liderou esse movimento foram indústrias com dependência direta do recurso, como alimentos e bebidas. Empresas como Nestlé, PepsiCo e Unilever foram citadas como exemplos em que eficiência hídrica e restauração de bacias são peças críticas para proteger cadeias de suprimento. A diferença agora é que o aumento do estresse hídrico e as rupturas na logística fazem com que múltiplos setores precisem incorporar a água em seus planos de longo prazo.

O fator “data center”: água e IA entram no mesmo debate

Em 2025, o setor de tecnologia virou um ponto de pressão. A discussão sobre o impacto de data centers de IA e cloud deixou de ser apenas sobre energia: passou a incluir o consumo de água e seus efeitos sobre mananciais.

Nesse contexto, vieram a público dados que elevaram a cobrança por transparência. Um dos exemplos destacados foi o aumento de 34% no consumo global de água da Microsoft em 2022, associado ao treinamento de modelos de IA. O caso funciona como termômetro do debate: quanto mais a IA escala, maior a exigência por metas, governança e soluções operacionais para reduzir impacto e risco.

Outra movimentação relevante veio da Salesforce, que em 2025 publicou seu primeiro programa abrangente de água dentro da Nature Positive Strategy. A empresa classificou água como seu desafio mais significativo relacionado à natureza e apontou dois riscos centrais:

  • o impacto das operações de data center sobre a disponibilidade de água doce;
  • a possibilidade de escassez hídrica afetar desempenho financeiro.

Na prática, a resposta inclui implementação e parceria. A Salesforce acionou a Epic Cleantec para operar um sistema de reuso de água no próprio prédio (Salesforce Tower, em San Francisco), alinhando-se ao esforço da cidade para expandir reuso não residencial e se posicionando entre os primeiros adotantes (ao lado de Microsoft e AWS) de soluções aplicáveis para reduzir impacto e risco operacional.

A tecnologia como acelerador (e não só como problema)

O texto também aponta uma inversão importante: a mesma onda de IA que aumenta a demanda e a cobrança está acelerando a inovação hídrica, com analytics preditivo, sensores avançados e ferramentas inteligentes para eficiência, detecção de vazamentos e planejamento. Em outras palavras, água e tecnologia passam a ser motores interligados de resiliência e competitividade.

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2) Regulação e gasto público passam a “puxar” a inovação

Se 2025 consolidou a água como assunto de diretoria, também deixou claro que regulação segue sendo uma das alavancas mais poderosas para acelerar inovação no setor. O aumento do escrutínio regulatório reflete maior atenção a contaminação, efeitos do clima e a urgência de modernizar infraestrutura.

PFAS: o tema que virou prioridade visível

Entre as agendas regulatórias, poucas são tão emblemáticas quanto a de PFAS (os chamados “forever chemicals”). Em 2024, a EPA (agência ambiental dos EUA) introduziu os primeiros limites nacionais para PFAS na água potável. Em 2025, a continuidade dessas regras foi confirmada — ainda que com possibilidade de limites mais brandos.

Mesmo assim, o efeito econômico é relevante: quando há sinal de continuidade, aumenta a previsibilidade para utilities e para empresas que desenvolvem tecnologias de detecção e destruição de PFAS. E previsibilidade, nesse mercado, costuma ser o pré-requisito para destravar pilotos, compras e escala.

A Europa avança em paralelo: uma proposta de restrição em nível de União Europeia pode eliminar a maior parte dos usos em cerca de uma década, enquanto Bélgica e França preparam planos nacionais combinando redução de uso com monitoramento e remediação.

Esse direcionamento regulatório também influencia capital. Em 2025, startups com foco em PFAS como FREDsense e Oxyle fecharam rodadas Série A. As duas são citadas dentro do ecossistema de soluções conectadas a UpLink Ventures, parte da colaboração do UpLink e do World Economic Forum com o HCL Group para identificar e escalar soluções de alto potencial em água.

Regulador como indutor: o caso Ofwat (Reino Unido)

Um exemplo concreto de regulação “mão na massa” aparece no Reino Unido. Em 2025, a Ofwat estendeu seu Innovation Fund até 2030 com mais £400 milhões (cerca de $533 million), levando o total para £600 milhões (cerca de $800 million) em dez anos. Mesmo com recomendações de reestruturação do ambiente regulatório, a expectativa apresentada é que o apoio à inovação continue.

Universidades e coordenação europeia ganham escala

Outro vetor de 2025 é a universidade como parceira ativa de execução, não apenas pesquisa. No Stanford Sustainability Accelerator, sediado na Stanford Doerr School of Sustainability, foram selecionados em maio de 2025 11 projetos para avançar resiliência hídrica, gestão sustentável e acesso equitativo, integrando tecnologia, engajamento comunitário e política pública.

Na Europa, a coordenação também se fortalece com o lançamento do EIT Water como nova comunidade de conhecimento e inovação em 2025, após investimento de €86 milhões da Comissão Europeia em resiliência hídrica.

O pano de fundo é global: investimento público em inovação não é novo — Singapura (PUB) é citada como referência há décadas —, mas infraestrutura envelhecida, pressões climáticas e regulação mais dura tornam a inovação menos opcional e mais necessária.

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3) Aquisições e consolidação redesenham o mercado de inovação

A terceira marca de 2025 foi o aumento das aquisições corporativas, indicando uma mudança no “motor” de escala: grandes utilities e players industriais estão comprando capacidade para ganhar posição em segmentos de crescimento rápido — especialmente onde há demanda regulatória, risco climático e uso intensivo de água pela indústria.

Essa dinâmica também responde a um obstáculo clássico do setor: por muito tempo, parte dos investidores hesitou por enxergar poucos caminhos de saída (exits). Em 2025, o volume e o perfil das transações sinalizam que esse cenário está mudando.

Negócios que mostram o tamanho do ciclo

O texto destaca operações relevantes em diferentes regiões:

  • Na Europa, a Veolia Environnement anunciou a aquisição de participação remanescente em Water Technologies & Solutions por $1.75 billion.
  • Na Coreia, a Glenwood Private Equity comprou o negócio de soluções de água da LG Chem por $1 billion, ampliando presença em dessalinização e tratamento industrial.
  • Nos EUA, a Ecolab anunciou planos de adquirir o negócio de eletrônicos da Ovivo por $1.8 billion, reforçando posição em microeletrônica e setores impulsionados por IA.

Utilities também estão se juntando — por necessidade operacional

Além das empresas de tecnologia e tratamento, a consolidação avança do lado das utilities. Em 2025, American Water Works e Essential Utilities anunciaram fusão, criando uma empresa combinada avaliada em $63 billion — um movimento associado à pressão para somar recursos frente a custos crescentes, escassez de mão de obra e exigências técnicas de monitoramento e tratamento modernos.

Sistemas municipais menores, segundo o panorama, têm buscado fusões e parcerias para lidar com custos e complexidade. Um caso extremo citado é o da Grécia: o governo anunciou a intenção de enfrentar sua crise hídrica consolidando mais de 700 empresas municipais de água em uma única entidade, como parte de uma estratégia de resiliência.

O alerta para 2026 é claro: consolidação pode ajudar a escalar e profissionalizar, mas há um risco a monitorar — ganhos de eficiência não podem significar menos competição e menos inovação.

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O que esperar em 2026: do “momentum” para a entrega

A síntese do ano é que investidores, reguladores e corporações aceleraram a inovação em 2025, mas persistem barreiras estruturais: fragmentação, subinvestimento e limitações de “sistema” ainda travam o progresso global.

E há um contraste que ajuda a entender a urgência: enquanto surgem novos fundos e cresce o interesse, o financiamento tradicional de infraestrutura hídrica segue aquém do necessário. As estimativas citadas pela OCDE e pelo Banco Mundial indicam que as necessidades globais podem chegar a $6.7 trillion até 2030 e subir para $22 trillion até 2050, muito acima dos compromissos públicos atuais. Ao mesmo tempo, existe um problema de capacidade de absorção: mais de um quarto do financiamento não estaria sendo efetivamente implantado, o que expõe gargalos de projeto, execução, governança e pipeline.

Nesse cenário, 2026 tende a ser lembrado não como o ano das promessas, mas como o da implementação. Com capital começando a ser de fato alocado e compromissos corporativos migrando para a prática, o foco passa a ser entrega mensurável.

Um marco citado é a Conferência da ONU sobre Água nos Emirados Árabes Unidos, apontada como uma oportunidade rara de alinhar finanças, política e tecnologia em torno de metas comuns. A pergunta que fica — e que deve orientar decisões de empresas e governos — é se o impulso construído pela inovação em água em 2025 vai se converter em uma agenda global mais conectada e orientada a resultados.

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