Testari

Fale com a Testari: +55 11 4040-6707

Armazenamento em Baterias em Larga Escala: Lições do Projeto Basin-IESO (Leclanché) para a Estabilização do SIN

O aumento da participação de fontes renováveis intermitentes — eólica e solar — na matriz elétrica brasileira é um movimento consolidado e necessário. No entanto, a substituição de usinas despacháveis (hidrelétricas com reservatório, térmicas a gás e nucleares) formadas por máquinas girantes por geração variável formada por conversores tende a reduzir a inércia do Sistema Interligado Nacional (SIN), tornando a rede mais suscetível a oscilações de frequência e tensão.

Atualmente, o Operador Nacional do Sistema (ONS) recorre a usinas térmicas de partida rápida e a cortes de geração renovável para manter a estabilidade, soluções caras, poluentes e que limitam o aproveitamento de energia limpa.

Armazenamento de Energia em Baterias: A Peça Fundamental para Redes Elétricas Modernas

O projeto Basin-IESO

Nesse cenário, o projeto Basin-IESO, desenvolvido pela Leclanché em Toronto, Ontário, oferece um modelo técnico e operacional replicável no Brasil. Implantado em 2023, o sistema conta com 4 MW de potência e 14 MWh de capacidade de armazenamento (usando baterias de íon-lítio com ciclo de vida superior a 6.000 ciclos).

Sua função principal é prestar serviços ancilares — regulação primária e secundária de frequência, suporte de tensão e reserva operativa — com tempo de resposta inferior a 100 milissegundos, superando as térmicas de partida rápida (que levam minutos) e entregando uma eficiência elétrica superior a 98%.

Regulação de Baterias: Como Estar em Conformidade na Era da Energia Limpa

Resultados

Os resultados operacionais do Basin-IESO são expressivos: redução de emissões de CO₂ em cerca de 12.000 toneladas por ano, eliminando a queima de combustível das térmicas de partida rápida, e uma disponibilidade superior a 99,5%. O sistema opera integrado ao mercado atacadista de eletricidade de Ontário (IESO), sendo remunerado pelos serviços de regulação de frequência e capacidade de energia firme — um modelo de negócio que combina receitas de curto prazo (ancilares) com contratos de longo prazo de capacidade.

A Variabilidade das Fontes Renováveis e a Necessidade de Soluções de Armazenamento

E o Brasil?

O paralelo com o Brasil é inevitável. O SIN enfrenta desafios análogos: a elevada penetração de geração eólica no Nordeste, combinada com a redução da geração hidrelétrica de base (devido a restrições hídricas e ambientais), já provocou episódios de subfrequência e e baixo nível de inércia (low-inertia) que exigiram cortes de carga e ativação de térmicas emergenciais.

Sistema instalado em Basin. Leclanché.

Estudos do ONS indicam que a inércia do sistema pode cair abaixo de 100 GWs em horários de alta geração renovável, patamar crítico para a estabilidade. Sistemas BESS, como o da Leclanché, poderiam fornecer inércia sintética e regulação primária de forma instantânea, evitando a necessidade de despachar térmicas caras e poluentes.

Entretanto, o arcabouço regulatório brasileiro ainda não reconhece os serviços ancilares prestados por baterias como um produto comercializável, à exceção de contratos pilotos da Aneel. A Resolução Normativa nº 1.000/2021 define os serviços ancilares, mas não estabelece um mecanismo de remuneração específico para armazenamento. Enquanto isso, Ontário, Alberta e Califórnia já precificam esses serviços, viabilizando projetos como o Basin-IESO. Sem uma evolução regulatória, o Brasil corre o risco de perpetuar a dependência de térmicas em um momento de transição energética que exige soluções mais flexíveis e limpas.

A tecnologia de BESS em larga escala é madura e economicamente viável, como demonstram os mais de 10 GW de armazenamento instalados globalmente em 2025. O caso Basin-IESO comprova que baterias podem substituir térmicas de partida rápida com vantagens de custo operacional (custo nivelado de armazenamento — LCOS — inferior a US$ 150/MWh) e impacto ambiental zero. O Brasil, com seu mercado elétrico de grande porte e necessidade de flexibilidade, não pode ignorar essa alternativa.

Cabe aos agentes do setor — ONS, Aneel, geradores e consumidores — pressionar por uma regulação que viabilize a entrada de BESS no mix de serviços ancilares. A experiência internacional, exemplificada pelo projeto Basin-IESO da Leclanché, é a prova de conceito de que o caminho é técnica e economicamente sólido.

A questão é: quando o Brasil estará disposto a percorrê-lo?

Compo podemos ajudar?

CONTATO

Estamos aguardando seu contato!
Utilize nosso canais de comunicação ou então preencha o formulário, que entraremos em contato o mais breve possível.

ENDEREÇO

Rua José Domingues n°318
Centro – Pinhalzinho – SP
CEP: 12.995-000

CONTATO

Tel: +55 11 4040-6707
Email: hugo@testari.com.br

FORMULÁRIO